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# Contra Toda Esperança
- URL: https://amem.fluidigital.com.br/contra-toda-esperanca/
- Published: 2026-10-20T16:37:41.000Z
- Updated: 2026-11-04T02:09:33.000Z
- Description: Filho do homem, estes ossos poderão tornar a viver?
- Author: Airton Humber
- Tags: Bíblicos, Formação Espiritual

*A certeza do que não se vê*

## Poderão estes ossos tornar a viver?

Um homem é conduzido pelo Senhor a um vale cheio de ossos.

Havia muitos ossos, espalhados por toda parte. E estavam sequíssimos.

Não havia movimento. Não havia sinal de vida. Não havia, diante dos olhos, razão alguma para esperar que aqueles ossos voltassem a viver.

Então o Senhor pergunta:

**“Filho do homem, estes ossos poderão tornar a viver?”**

E o homem responde:

“Ó Soberano Senhor, só tu o sabes.”

O profeta não sabia como aqueles ossos poderiam viver. Mas também não afirmou que seria impossível.

Reconheceu que o Senhor sabia aquilo que ele não sabia.

Aquela visão foi dada a Ezequiel num momento de profunda desesperança. Mas sua imagem também nos convida a olhar para a humanidade e para nossa própria vida.

Quantas vezes nos encontramos diante de situações nas quais não conseguimos enxergar esperança alguma?

Quantas vezes procuramos uma saída usando todo o nosso conhecimento, nossa força e nossa capacidade, sem encontrar resposta?

A pergunta permanece:

**Poderão estes ossos tornar a viver?**

Talvez a resposta comece quando reconhecemos algo muito simples:

**O homem procura a vida. Deus é a fonte da vida.**

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## De onde vem a vida?

No vale dos ossos secos, o Senhor ordena que Ezequiel anuncie sua Palavra.

O profeta obedece.

Os ossos começam a se aproximar. Recebem tendões, carne e pele. Mas ainda não há vida neles.

Então o Senhor ordena que ele profetize ao espírito, para que venha e sopre sobre aqueles mortos.

E eles vivem.

Ezequiel anunciou a Palavra. Mas não foi sua capacidade que produziu a vida.

**O homem participa. O Espírito vivifica.**

E não é a primeira vez que encontramos essa relação nas Escrituras.

Já no princípio, o Espírito de Deus pairava sobre as águas.

Deus disse: “Haja luz.”

E houve luz.

Muito tempo depois, João começou seu evangelho anunciando:

“No princípio era a Palavra.”

E acrescentou:

“Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens.”

Jesus também declarou:

“As palavras que eu lhes disse são espírito e vida.”

Palavra. Espírito. Vida. Luz.

Não são simplesmente quatro nomes para a mesma coisa. Mas estão profundamente relacionados naquilo que as Escrituras nos revelam.

A Palavra anuncia. O Espírito vivifica. A vida procede de Deus. E a luz ilumina os homens.

Aquilo que os ossos não podiam produzir, o Senhor lhes concedeu.

E foi nesse mesmo Deus, que dá vida aos mortos e chama à existência o que não existe, que Abraão depositou sua confiança.

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## Contra toda esperança

O Senhor chamou Abraão e lhe fez uma promessa:

“Eu o abençoarei \[…\] e você será uma bênção.”

Prometeu-lhe também uma descendência, quando as circunstâncias humanas já não ofereciam esperança de que isso acontecesse.

Abraão estava envelhecido. Sara era estéril.

Mas Paulo escreveu sobre ele:

**“Abraão, contra toda esperança, em esperança creu.”**

Abraão não ignorou as condições do próprio corpo nem a situação de Sara.

Ele reconheceu a realidade, mas continuou confiando naquele que havia feito a promessa.

Paulo explica que Abraão creu em Deus, aquele que dá vida aos mortos e chama à existência coisas que não existem.

Como no vale dos ossos secos, a esperança não estava naquilo que o homem podia fazer, nem naquilo que conseguia enxergar.

**Estava naquele que havia feito a promessa.**

E a bênção não terminaria em Abraão.

Paulo explica que, por meio de Cristo Jesus, a bênção prometida a Abraão chegou também aos outros povos, para que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido.

E o que esse Espírito realiza naqueles que recebem a promessa?

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## O Filho e os muitos irmãos

João apresenta Jesus como o Filho unigênito, destacando sua condição singular.

Paulo apresenta Jesus Cristo como o primogênito entre muitos irmãos.

E explica que somos chamados a ser conformados à imagem do Filho.

Em outra carta, expressa seu desejo:

“Até que Cristo seja formado em vocês.”

Não se trata apenas de conhecer informações sobre Deus.

Trata-se de uma transformação da nossa própria vida.

Jesus disse:

“Eu sou a luz do mundo.”

E também disse aos seus discípulos:

“Vocês são a luz do mundo.”

A luz não tem sua origem em nós. Mas somos chamados a manifestá-la.

E Paulo revela algo extraordinário ao falar do mistério que Deus quis tornar conhecido entre os povos:

**“Cristo em vocês, a esperança da glória.”**

A esperança não está em nos tornarmos suficientes por nós mesmos.

Está na vida de Cristo sendo formada e manifestada em nós, pela ação do Espírito.

E, se é o Espírito quem vivifica, nossa primeira atitude é ouvir.

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## Ouvir, despertar e caminhar

As Escrituras nos convidam, repetidamente, a ouvir.

“Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.”

E também:

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz.”

Não basta ouvir sons com os ouvidos. Somos convidados a compreender com o coração.

E aquilo que começamos a compreender pode transformar nossa maneira de viver.

Por isso encontramos outro chamado:

“Desperta, você que dorme, levante-se dentre os mortos, e Cristo o iluminará.”

Despertar. Levantar. Caminhar.

Mas como caminhar sem conhecer toda a estrada?

“Tua palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho.”

Uma lâmpada não ilumina necessariamente toda a estrada. Mas oferece luz para o próximo passo.

Assim vamos conhecendo e prosseguindo em conhecer.

Aprendemos a ouvir antes de falar.

Aprendemos a confiar mesmo quando não compreendemos tudo.

E começamos a oferecer não apenas nossas palavras, mas o próprio corpo, a própria vida, como sacrifício vivo a Deus.

A Palavra que ouvimos começa a encontrar expressão naquilo que fazemos.

E, enquanto caminhamos, nossa compreensão também pode se aprofundar.

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## As águas que se aprofundam

Em outra visão, Ezequiel contempla um rio que sai do santuário.

Primeiro, as águas chegam aos tornozelos.

Depois, aos joelhos.

Em seguida, à cintura.

Finalmente, tornam-se profundas demais para serem atravessadas andando.

A visão anuncia águas que levam vida e restauração por onde passam.

Mas também podemos contemplar esse aprofundamento como uma imagem da nossa caminhada.

No começo, conhecemos pouco.

À medida que caminhamos, percebemos novas relações entre aquilo que ouvimos e aquilo que vivemos.

Nossa compreensão se aprofunda.

Até que começamos a reconhecer que o conhecimento, por mais precioso que seja, não nos permite controlar todas as coisas.

“Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento.”

O rio é maior do que nós.

E há algo especialmente bonito naquela visão: suas águas não permanecem paradas. Elas seguem adiante e levam vida por onde passam.

Jesus também falou de rios de água viva que fluiriam do interior daqueles que nele cressem.

João explica que ele estava falando do Espírito.

A vida que recebemos não foi destinada a terminar em nós.

**O rio se aprofunda. E suas águas seguem adiante.**

Assim como as águas do rio seguem adiante levando vida por onde passam, também somos enviados ao mundo.

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## Enviados para amar

Jesus disse ao Pai:

“Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo.”

E sua oração não ficou restrita àqueles discípulos.

Ele também orou por aqueles que viriam a crer por intermédio da palavra deles.

O que significa sermos enviados?

Cristo significa Ungido. Messias também significa Ungido.

Jesus declarou que o Espírito do Senhor estava sobre ele, que o havia ungido para anunciar boas-novas e o havia enviado.

Unção e envio estão profundamente relacionados, embora não signifiquem exatamente a mesma coisa.

Depois da ressurreição, Jesus disse novamente aos discípulos:

“Assim como o Pai me enviou, eu os envio.”

E soprou sobre eles, dizendo:

“Recebam o Espírito Santo.”

Paulo também afirma que Deus nos ungiu, nos selou e colocou o Espírito em nossos corações.

Isso não significa que nos tornamos o Messias. Mas que, pertencendo a Cristo, participamos de sua vida e somos chamados a cooperar com sua obra.

Podemos voltar ao vale dos ossos secos.

Ezequiel anunciou a Palavra. Mas foi o Espírito que deu vida.

Paulo plantou. Apolo regou. Mas Deus deu o crescimento.

Jesus chamou Lázaro para fora do sepulcro. E ordenou às pessoas que retirassem suas ataduras e o deixassem ir.

Em todos esses episódios, encontramos pessoas participando de uma obra cuja vida e poder não procedem delas.

Não somos a fonte da vida.

Mas podemos anunciar a Palavra, oferecer nossas mãos, acolher, servir e ajudar o outro a levantar-se.

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## Um novo mandamento

E Jesus nos deu um novo mandamento:

“Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros.”

Amar como Jesus amou envolve aprender a renunciar à pretensão de viver somente para nós mesmos.

Ele nos chamou a negar a nós mesmos, tomar nossa cruz e segui-lo.

Paulo nos convida a oferecer nosso próprio corpo como sacrifício vivo.

Assim, a fé começa a se manifestar pelo amor.

O outro pode ser alcançado por essa bondade.

Não porque sejamos capazes de produzir a vida nele, mas porque nos colocamos à disposição daquele que vivifica.

**Não fomos enviados para condenar os ossos secos. Fomos chamados a anunciar a esperança da vida.**

E é justamente nessa vida de fé e amor que começamos a compreender o chamado de Jesus para buscar primeiro o Reino de Deus e sua justiça.

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## O Reino e o descanso

Jesus nos ensinou:

“Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça.”

E Paulo escreveu:

“Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo.”

A caminhada vai nos ensinando que a justiça de Deus não é uma conquista da nossa autossuficiência.

É pela fé que recebemos e aprendemos a viver essa justiça, que se manifesta no amor.

E, enquanto caminhamos, encontramos outro convite de Jesus:

“Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.”

Jesus não nos chama simplesmente a abandonar toda atividade.

Ele nos convida a tomar seu jugo e aprender dele, que é manso e humilde de coração.

Mas as Escrituras também dizem:

“Esforcemo-nos, pois, por entrar nesse descanso.”

Como alguém pode se esforçar para descansar?

O chamado em Hebreus está relacionado à perseverança na fé e à obediência, em contraste com a incredulidade daqueles que não entraram no descanso prometido.

Não se trata de produzir o descanso por nossa própria capacidade.

Trata-se de perseverar na confiança naquele que o oferece.

**O descanso não é o fim da caminhada. É uma nova maneira de caminhar.**

Continuamos trabalhando, servindo e amando.

Mas já não precisamos viver como se tudo dependesse de nós.

“Se não for o Senhor o construtor da casa, será inútil trabalhar na construção.”

Aprendemos a confiar.

E nessa confiança podemos experimentar, desde agora, a justiça, a paz e a alegria no Espírito Santo.

Mesmo quando, diante dos nossos olhos, não conseguimos enxergar esperança alguma.

Como Abraão, somos convidados a confiar naquele que dá vida aos mortos.

Ainda não compreendemos tudo.  
Ainda enfrentamos dificuldades.  
Ainda caminhamos.

Mas o descanso já pode fazer parte da caminhada.

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## Até que não haja mais noite

As Escrituras apresentam a história de muitos homens, de muitos povos e de muitas gerações.

Encontramos fé e incredulidade, obediência e desobediência, amor e violência, esperança e desespero.

Encontramos o homem tentando viver por sua própria capacidade.

E encontramos, repetidamente, a misericórdia de Deus.

Tudo o que foi escrito no passado foi escrito para nosso ensino, para que, pela perseverança e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.

A Bíblia começa falando da luz.

E termina anunciando:

**“Não haverá mais noite.”**

Essa promessa aponta para uma plenitude que ainda aguardamos.

Mas a luz já brilha.

O Espírito já vivifica.

E o descanso oferecido por Jesus já pode ser experimentado por aqueles que creem.

Entre o vale dos ossos secos e a promessa de que não haverá mais noite, somos convidados a ouvir, despertar, levantar e caminhar.

A conhecer e prosseguir em conhecer.

A oferecer nossa vida em amor.

A buscar primeiro o Reino de Deus e sua justiça.

E a confiar naquele que nos conduz, mesmo quando não conseguimos enxergar toda a estrada.

Porque o caminho do justo é como a luz da aurora, que brilha mais e mais até ser dia perfeito.

E aquele que começou contemplando um vale de ossos sequíssimos pode descobrir que sua esperança não estava na capacidade daqueles ossos de viver.

Estava naquele que dá a vida.

**Cristo em nós, a esperança da glória.**

**Para a glória de Deus Pai.**

A luz continua brilhando. O Espírito continua vivificando. E a esperança permanece.

**Até que não haja mais noite.**