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# Quando a luz assusta mais que as trevas
- URL: https://amem.fluidigital.com.br/quando-a-luz-assusta-mais-que-as-trevas/
- Published: 2025-07-04T21:00:12.000Z
- Updated: 2026-11-04T02:54:27.000Z
- Description: Tive uma conversa simples com um amigo, mas que acendeu uma luz muito forte dentro de mim.
- Author: Airton Humber
- Tags: Bíblicos, Discernir o Invisível

Tive uma conversa simples com um amigo, mas que acendeu uma luz muito forte dentro de mim.  
Ele trabalha na área médica, e comentou comigo algo que ouve com frequência:  
muitos pacientes mais velhos que buscaram o mundo espiritual, de alguma forma, chegam até ele com dores, limitações físicas, doenças crônicas.

E ele disse isso com um tom de alerta, de cuidado, quase como quem faz uma recomendação:  
“É melhor não mexer com essas coisas…”

Na hora, eu só escutei. Mas aquela frase ficou ecoando dentro de mim.

Percebi que o medo dele não era exatamente das trevas.  
Era da luz.  
Não era o mal que o assustava — era a possibilidade do invisível, do espiritual, do que não se explica.

E isso me tocou profundamente, porque eu mesmo tenho vivido isso no meu próprio corpo.

Há poucos anos, comecei um blog onde compartilho reflexões sobre as Escrituras — não de forma religiosa, mas buscando o espírito da Palavra, a beleza da simplicidade, a verdade que transforma.  
E exatamente uma semana depois que comecei o blog, meu corpo começou a dar sinais de parkinsonismo.  
Um quadro progressivo, sutil, mas bem real.  
E o curioso — ou espiritual — é que eu estava no auge da forma física para minha idade. Me sentia quase um atleta.  
Trabalhando bem, firme no propósito, em paz.

E de repente, veio essa limitação.

Muitos poderiam dizer:  
“Tá vendo? Foi mexer com o mundo espiritual e adoeceu…”

Mas eu vejo com outros olhos.

Vejo o que Paulo viu quando escreveu sobre o seu “espinho na carne” — algo que o limitava, o incomodava, mas que ele entendeu como necessário:

“Foi-me dado um espinho na carne… para que eu não me exaltasse.”  
(2 Coríntios 12:7)

´É assim que me sinto.  
Naquele momento, eu estava recebendo tantas revelações, com tanta clareza e intensidade…  
que, sem esse limite, eu teria me perdido.  
Na vaidade, na pressa, na arrogância de quem acha que já entendeu tudo.

Esse espinho no meu corpo não é um castigo.  
É um freio.  
É uma proteção.  
É uma forma de Deus me lembrar, todos os dias, que a força não está em mim — mas n’Ele.

E ao lembrar da fala do meu amigo, uma imagem me veio forte à mente:  
É como se o diabo tivesse conseguido cercar a luz com arame farpado, com uma placa enorme:  
“PERIGO — NÃO ULTRAPASSE.”  
Como se o espiritual verdadeiro fosse proibido, perigoso, assustador.

E do lado de fora desse cercado, ele liberou tudo o que tem de pior — egoísmo, mentira, vícios, espiritualidades falsas — mas rotulou tudo como “normal”, “liberdade”, “vida moderna”, “experiência pessoal”.

E assim seguimos:  
com medo da luz… e totalmente adaptados às trevas.

Aliás, naquele mesmo momento da conversa, eu disse a ele algo que me veio com força e clareza:  
“Hoje em dia, a gente só tem medo do bem. Do mal, a gente se acostumou.”

E quanto mais penso nisso, mais percebo que é verdade.  
Vivemos num mundo tenebroso, mergulhado em mentira, corrupção, competição, egoísmo, doenças emocionais…  
E ninguém tem medo disso.  
Chamamos de “vida normal”.

Mas quando alguém começa a buscar o mundo invisível — o mundo de Deus, o mundo da verdade — logo vem o alerta:  
“Cuidado com isso…”  
“Melhor não mexer…”

E é aí que está a distorção.  
As pessoas não têm medo do mal.  
Têm medo da luz.  
Porque a luz revela. E ao revelar, confronta.  
Mas só a luz pode curar.

O mundo espiritual não é neutro.  
Ou é luz — ou é trevas disfarçadas.  
E o corpo, muitas vezes, manifesta aquilo que a alma não entendeu.  
Por isso tanta gente sofre sem saber por quê.

Eu sigo com meu espinho.  
Mas sigo com paz.  
Porque sei que a graça de Deus me basta.  
E sei que o poder d’Ele se aperfeiçoa na fraqueza.

Por isso, sigo escolhendo a luz.  
Mesmo quando ela me confronta.  
Mesmo quando ela dói.  
Porque só nela há vida.