> ## Content Index
> Fetch the complete content index at: https://amem.fluidigital.com.br/llms.txt
> Use this file to discover other available public pages before exploring further.

# Você também tem medo de Deus?
- URL: https://amem.fluidigital.com.br/voce-tambem-tem-medo-de-deus/
- Published: 2025-07-06T11:56:54.000Z
- Updated: 2026-11-04T02:54:27.000Z
- Description: Em última instância, temos medo somente de Deus.
- Author: Airton Humber
- Tags: Bíblicos, Formação Espiritual

> Em última instância, temos medo somente de Deus.

A Psicanálise ensina: temos medo do desconhecido, e uma tendência de voltar para o conhecido por pior que seja.  
Nós conhecemos o mundo, tenebroso, que vivemos e ele não nos assusta mais porque já estamos acostumados com o ambiente.  
Sabemos que existe algo mais, além do que vemos. Sabemos também que isso nos afeta diariamente; é algo que não conhecemos e portanto temos medo.  
E as tradições sociais e religiosas nos mostram um caminho conhecido que nos anestesia em meio ao sofrimento, e impedem a nossa libertação.

> Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida!  
> São poucos os que a encontram. Mateus 7:14.

## O medo

Tenho pensado muito sobre o medo.  
Não o medo do escuro, da morte ou do futuro.  
Mas um medo mais sutil, mais escondido…  
um medo que quase ninguém assume, mas que define quase tudo em nós:  
o medo do bem.  
O medo de Deus.

Parece contraditório, mas é real.  
Vivemos num mundo tenebroso e não temos medo dele.  
Aceitamos a injustiça, a mentira, a corrupção, a competição desleal, o egoísmo, os vícios emocionais — e chamamos isso de normal.  
Mas quando alguém fala de luz, de verdade, de rendição ao Espírito…  
o ambiente fecha.  
A resistência cresce.  
O medo aparece.

E foi refletindo sobre isso que percebi algo que está na raiz dessa história toda:  
nós temos medo do bem… porque fomos ensinados a ter medo de Deus.

## Como Adão no jardim

Essa história começa no Éden.  
Quando Adão come do fruto, a Bíblia diz algo curioso:

> Então os olhos de ambos se abriram, e perceberam que estavam nus. (Gênesis 3:7)

Eles não ficaram cegos.  
Pelo contrário — os olhos se abriram.  
Mas passaram a enxergar com vergonha, com medo.  
Perceberam a própria nudez, se cobriram com folhas, e — o mais importante —  
se esconderam de Deus.

> Ouvi os teus passos no jardim e tive medo… (Gênesis 3:10)

O medo nasceu… não do mal.  
Mas da luz de Deus.

E desde então, essa é a tendência natural da humanidade:  
fugir da luz, desconfiar do bem, se esconder da verdade.  
Como se o problema fosse Deus — e não a distância que criamos d’Ele.

“Os homens amaram mais as trevas…”

Jesus confirma isso com clareza em João 3:

> A luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque suas obras eram más. (João 3:19)

Não se trata apenas de ignorância.  
É escolha.  
É instinto de fuga.  
É medo da luz… porque a luz revela.

E quanto mais carregamos coisas não resolvidas dentro de nós, mais tememos a exposição.  
Não queremos ser vistos.  
Não queremos ser transformados.  
Por isso preferimos o disfarce da religiosidade à entrega verdadeira.

## O maior engano

E foi nesse ponto que outra ficha caiu para mim.  
O diabo tem enganado os homens com a Palavra de Deus.

> Foi assim no Éden:  
> Foi assim que Deus disse…?  
> Foi assim com Jesus no deserto:  
> Está escrito…

E é assim até hoje.  
A tradição religiosa muitas vezes usa a Bíblia para gerar medo.  
Cita trechos isolados.  
Reforça a imagem de um Deus rígido, justiceiro, controlador.  
E com isso, sem perceber, ensina o povo a ter medo de Deus como Adão teve — não com reverência, mas com pavor.  
A fugir da luz.  
A desconfiar do bem.  
A ter medo de Deus.

E as pessoas se acomodaram e acostumaram até hoje, exatamente como fizeram com Moisés, no deserto:

> Quando o povo se viu diante dos trovões e dos relâmpagos, e do som da trombeta e do monte fumegando, tremeram todos assustados. Ficaram à distância e disseram a Moisés: Fala você mesmo conosco, e ouviremos. Mas que Deus não fale conosco, para que não sejamos mortos. (Êxodo 20:18,19)

Jesus porém, no deserto, preferiu ouvir e dar ouvidos ao Espírito Santo:

> Dito está… (Lucas 4:12) 

E o diabo o deixou.

Nós porém continuamos, alimentados pelas tradições, a escolher alguém que fale de Deus para nós, apesar do ensinamento:

> Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, (1 Timóteo 2:5)

Ele nos mostrou o caminho: o do ser humano comum, como ele se fez, guiado pelo Espírito Santo.

## Lúcifer, a luz, e o medo que ficou

E ainda tem um detalhe simbólico e profundo:  
Lúcifer — nome latino que significa “portador da luz” — foi associado ao diabo pela tradição religiosa.  
Mas a Bíblia nunca chama o diabo de Lúcifer.  
Essa ligação nasceu na Vulgata (tradução latina) e depois foi alimentada por escritores como Dante e Milton.  
No hebraico de Isaías 14, o texto fala de um “astro brilhante”, em tom poético, sobre o rei da Babilônia.

Mesmo assim, a tradição colou a ideia:  
“cuidado com a luz — ela pode ser enganosa.”

E esse foi talvez o maior golpe espiritual:  
fazer o homem desconfiar da luz.  
Ter medo do bem.  
Ter medo de Deus.

## O medo da luz — hoje

A verdade é que esse medo não ficou no Éden.  
Ele continua vivo hoje — em mim, em você, em todos nós.  
Vivemos num mundo onde as pessoas dizem que querem verdade…  
Mas, na prática, preferem não ser confrontadas.

Preferimos controlar a aparência do que lidar com o que está dentro.  
Preferimos manter a rotina do que abrir espaço para algo novo.  
Preferimos orações decoradas do que uma conversa sincera com Deus.

Porque, no fundo, a luz assusta.  
Não porque ela é má.  
Mas porque ela mostra o que está escondido.

E aí, ao invés de correr para Deus… a gente se esconde.  
Com trabalho. Com religião. Com distrações.  
Com justificativas muito bem construídas.

## Mas Deus continua o mesmo

A luz não mudou desde o Éden.  
Quem mudou foi o nosso olhar.  
De um olhar simples e confiante… para um olhar desconfiado, culpado, defensivo.

Só que Deus não veio nos acusar.  
Ele veio nos transformar.  
A luz não é para nos envergonhar — é para nos curar.

## E um dia, tudo vai mudar

A Bíblia diz que haverá um momento — que ninguém sabe quando — em que nós seremos transformados.

> Num abrir e fechar de olhos… (1 Coríntios 15:52)

Esse “abrir de olhos” será diferente do primeiro.  
Não revelará a vergonha, mas a vida.  
Não será o começo do medo, mas o fim dele.

Porque naquele dia, finalmente veremos Deus como Ele é — e não mais como aprendemos a temer.  
E veremos a nós mesmos como somos, sem precisar fugir, esconder ou disfarçar nada.

## Até lá…

Até lá, vamos sendo transformados aos poucos.  
Toda vez que escolhemos a luz, mesmo tremendo por dentro.  
Toda vez que abrimos mão do controle, mesmo sem entender tudo.  
Toda vez que paramos de fugir… e olhamos para Deus sem medo.

Essa é a libertação mais profunda:  
deixar de ter medo de Deus.  
E confiar, de verdade, que Ele é bom.

Saiba mais:

[Quando a luz assusta mais que as trevas](https://amem.fluidigital.com.br/quando-a-luz-assusta-mais-que-as-trevas/)

[O grande engano](https://amem.fluidigital.com.br/grande-engano/)