“Deus é luz, e nele não há treva alguma.”
Haja luz
No princípio, havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava sobre as águas.
Então Deus disse: “Haja luz.”
E houve luz.
A luz apareceu antes do Sol, da Lua e das estrelas.
Muito tempo depois, João escreveu que, no princípio, era a Palavra, que todas as coisas foram feitas por meio dela e que nela estava a vida.
E a vida era a luz dos homens.
A Palavra, a vida e a luz aparecem intimamente relacionadas. E Paulo nos revela um mistério: nossa vida está escondida com Cristo em Deus.
Jesus entra na história humana, segundo a cronologia bíblica tradicional, cerca de quatro mil anos depois de Adão. Mas Cristo já estava no princípio, antes da criação de todas as coisas.
A luz da vida
Jesus declarou:
“Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida.”
Observe: não apenas verá a luz, mas terá a luz da vida.
João anuncia que a verdadeira luz, vinda ao mundo, ilumina todo homem. Mas nem todos a receberam.
Aos que a receberam e creram, foi concedido o direito de serem feitos filhos de Deus, nascidos não da vontade humana, mas de Deus.
A luz procede de Deus. É o Espírito quem concede a vida.
E Paulo anuncia:
“Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará.”
Aquele que dorme é chamado a despertar. Aquele que está entre os mortos é chamado a levantar-se.
Assim aconteceu quando Jesus chamou os mortos à vida, quando ordenou ao paralítico que se levantasse e quando chamou Mateus para segui-lo.
A Palavra alcança o homem em sua condição, e a vida se manifesta.
A luz no coração
Deus, que no princípio disse “Haja luz”, é o mesmo que faz a luz resplandecer em nosso coração.
Paulo ora para que sejam iluminados os olhos do nosso coração. É ali que começa a transformação de nossa maneira de compreender, crer e viver.
As Escrituras nos ensinam a guardar o coração, porque dele procedem as fontes da vida. E Jesus afirma que a boca fala daquilo que está cheio o coração.
Tiago compara a língua ao pequeno leme que dirige um grande navio. Assim, aquilo que se manifesta em nossas palavras também influencia a direção de nossa vida.
A luz ilumina o coração, a fé atua pelo amor, e o corpo passa a manifestar aquilo que Deus está realizando em nós.
Por isso, Paulo nos convida a apresentar nosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, mediante a transformação pela renovação da mente.
Não somos a origem dessa luz. É Deus quem opera em nós tanto o querer como o realizar.
Vocês são a luz do mundo
Jesus também declarou aos discípulos:
“Vocês são a luz do mundo.”
Mas de onde procede essa luz?
Paulo revela o mistério que esteve escondido durante gerações e agora foi manifestado:
“Cristo em vocês, a esperança da glória.”
Não somos a fonte da luz. Nossa vida está escondida com Cristo em Deus, e é Cristo quem vive em nós.
Jesus acrescentou que a luz deveria brilhar diante dos homens, para que vissem suas boas obras e glorificassem o Pai.
Depois do Pentecostes, Pedro encontrou um homem que não podia andar.
Em nome de Jesus Cristo, ordenou-lhe que andasse. E, tomando-o pela mão, ajudou-o a levantar-se.
Na parábola do bom samaritano, encontramos outra manifestação da bondade: um homem ferido, quase morto, recebe cuidado de alguém que se aproxima e o socorre.
A luz não se manifesta apenas naquilo que compreendemos ou anunciamos.
Ela também se torna perceptível na misericórdia, na bondade e no amor.
Fomos criados em Cristo Jesus para boas obras, preparadas de antemão por Deus, para que andássemos nelas.
Para a glória de Deus Pai
Cristo é formado em nós pela ação do Espírito.
Não para nossa própria glória, mas para que a bondade de Deus se manifeste por meio de nossa vida.
A graça recebida produz frutos de amor, que podem despertar ações de graças e glorificar o Pai.
A luz brilha, as boas obras se tornam visíveis, e a glória pertence a Deus.
Já não haverá noite
As Escrituras começam com Deus dizendo: “Haja luz”.
O caminho do justo é como a luz da aurora, que brilha cada vez mais até ser dia perfeito.
Assim também caminhamos pela fé, sendo transformados de glória em glória pela ação do Espírito.
A luz que ilumina nossos primeiros passos também nos conduz à esperança de um dia em que já não haverá noite.
E, nas últimas páginas, encontramos uma declaração extraordinária:
“Já não haverá noite […] porque o Senhor Deus os iluminará.”
A cidade não necessita do Sol nem da Lua, porque a glória de Deus a ilumina, e o Cordeiro é a sua lâmpada.
Do princípio ao fim, a luz procede de Deus.
E enquanto caminhamos neste mundo, permanece o convite:
“Enquanto vocês têm a luz, creiam na luz, para que se tornem filhos da luz.”
Porque Deus é luz.
E nele não há treva alguma.